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A SANTA CEIA E O “FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”

Mensalmente participamos da Santa Ceia do Senhor, pelo menos é o costume de grande parte das igrejas evangélicas.

O texto base que lemos está na primeira carta que Paulo enviou aos Coríntios, no capítulo 11 dos versículos 23 ao 34. As palavras de Jesus nos versos de número 24 e 25 há algum tempo me incomodaram para ver qual o sentido que teriam, especificamente quando diz por duas vezes “em memória de mim”. O trecho citado diz o seguinte: ” e, tendo dado graças, o partiu e disse: isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim;. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes, em memória de mim.” (grifo meu).
Ao longo de toda a Bíblia encontramos relatos nos quais Deus tinha um propósito que ficassem fixados na mente de seu povo. Foi assim quando da travessia do Jordão, no capítulo 4 do livro de Josué, quando o Senhor ordenou que fossem tiradas 12 pedras do Jordão e fosse levantada uma coluna em Gilgal (v. 20), e quando perguntassem o que significavam aquelas pedras os israelitas responderiam que passaram a pés enchutos o Jordão e que o Senhor é que fizera aquilo. Penso nos israelitas ensinando isto aos seus filhos, dizendo que o Senhor teria aberto o Jordão e ele, o que contava ao filho, teria colocado os próprios pés no fundo do rio e passado para o outro lado. Que glória, que lembranças trariam e que ensinamentos ficariam marcados nos ouvintes!
Outro fato é narrado no mesmo livro de Josué em seu capítulo 7,  quando Acã, após seu pecado, foi apedrejado juntamente com os de sua casa. Ao verem o montão de pedras que se levantou sobre o transgressor muitos diriam o que ocorrera e aquilo traria à memória a justiça e advertência divinas.
A pedra sobre a qual Jacó derramou azeita em Luz, depois chamada Betel, também traria à memória dos que ouvissem sobre sua experiência como Deus honrou o patriarca.
Voltando ao escrito paulino sobre a Santa Ceia, citei os textos acima para mostrar que a mesa do Senhor, conforme palavras do Senhor Jesus, também deve trazer à nossa mente lembranças de algo grandioso, por isso o compositor cristão ao escrever o hino 291 da Harpa Cristã afirmou: “mas contemplo esta cruz”; ele dizia que deveríamos contemplar a cena da crucificação diante de nós, pois ali estava acontecendo um milagre, “porque nela Jesus deu a vida por mim pecador.” Noutra parte Antônio Almeida diz “essa cruz tem pra mim, atrativo sem fim”; a cruz deve atrair o cristão, levá-lo a contemplar a agonia do calvário, não só na Santa Ceia, mas especialmente nela.
Já ouvimos e lemos o texto várias vezes, mas as palavras grifadas dão conta de que Jesus disse que ao participarmos da santa ceia deveríamos fazê-lo em memória dele; mas o que isto significa?
Para o teólogo Stanley M. Horton em seu comentário às epístolas aos Coríntios, “o termo traduzido por ‘memória’ (gr. anamnesis) pode não significar o que você pensa. Considerando que hoje lembrar-se de algo é rememorar uma ocasião passada, o entendimento do Novo Testamento da palavra anamnesis é justamente o oposto. Tal recordação significava transportar uma ação que estava enterrada no passado de tal modo que sua potência e vitalidade originais não sejam perdidas, mas trazidas para o presente.” E os fatos ocorridos no monte caveira não é atual e continua transformando pecadores? Sua potência e vitalidade é notória e eterna.
O comentário bíblico Mathew Henry traz a seguinte afirmativa sobre o texto “Nós temos aqui um relato sobre as finalidades dessa instituição. [1] Ela foi designada para ser realiza­da em memória de Cristo, para manter vívido em nossas mentes um favor antigo, sua morte por nós, como tam­bém para lembrar um amigo ausente, e até Cristo inter­cedendo por nós, em virtude de sua morte, à mão direita de Deus. O melhor dos amigos e os maiores atos de bon­dade devem ser aqui lembrados, com o exercício de afei­ções e graças adequadas. O lema dessa ordenança, e o seu verdadeiro significado, é: Quando virdes isso, lem­brai-vos de mim.”
A cruz traz à memória não a glória da travessia do Jordão, ou a advertência do caso de Acã, nem ao menos expressa somente a fidelidade do Deus de Jacó, mas a cruz mostra amor incondicional, rendição,a obediência do Cristo, salvação, o livre acesso ao céu pelo homem e a misericórdia divina, pois Ele apiedou-se de nós e não nos deu a recompensa que merecíamos.
A celebração em memória dele deve nos constranger, nos envergonhar pelos nossos pecados, mas ao mesmo tempo nos encher de alegria sem fim, pois mesmo pecados e malfeitores fomos feitos filhos, participantes da glória do Filho de Deus.
Um texto que Paulo escreveu aos Colossenses, no capítulo 2. 11-15, revela a grandeza da cruz e como deve trazer à nossa memória a grandeza da Salvação:
“Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas do despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircunsição da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, remove-o inteiramente encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.”
Ao participar da mesa do Senhor traga à memória  sua necessidade dele, arrependa-se de seus erros e celebre a grande salvação que lhe alcançou.
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2 comentários

  1. Ednaldo Jarbas de Souza

    muito edificante enxergamos a ceia hoje com mais amplitude muito Deus continui te abençoando

  2. Cristóvão Marques

    Você repete várias vezes baseado unicamente em Lucas e I Coríntios que Jesus disse “fazei isto em memória de mim! O problema é que nem Lucas nem Paulo estavam lá na hora da CEIA DA PÁSCOA, e esqueceu de ler os evangelhos de Mateus, Marcos e João, testemunhas oculares da CEIA DA PÁSCOA, e esqueceu de citar e verificar que Jesus não disse isso. Você já se perguntou por quê? Abraço¹

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